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Trilha de 76 km leva ao íntimo da Chapada Diamantina
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As pernas tremem e o coração parece saltar pela
boca, enquanto os olhos... Estes encontram disposição, vagam por um penhasco de
280 m de altura e se perdem lá embaixo, seguindo o rabisco dourado do rio em
meio ao verde da mata atlântica.
A caminhada por cima até o Cachoeirão, - que, nesta época do ano, se transforma em uma ducha gigantesca, com cerca de 20 quedas-d'água despencando de pontos difusos -, é apenas um dos inúmeros trajetos a percorrer nos cenários naturais do vale do Pati. Mais que uma aventura, ela constitui uma das melhores experiências sensoriais da chapada Diamantina, cravada no coração da Bahia.
Atravessá-la não é tarefa fácil. Durante cinco dias
de trekking, são 76 km de trilhas a vencer do vale do Capão até a cidadezinha
de Andaraí, no sentido noroeste-sudeste do parque nacional da Chapada
Diamantina, quando o caminhante se depara com paisagens tão belas quanto ermas.
Comida
caseira - Hospeda-se em casa de nativos -os chamados patizeiros. Parte dessas
moradas perdeu o clima informal e se transformou em pousadas improvisadas, com refeitório
e quartos coletivos. Tal mudança ocupou demasiado os proprietários que eles mal
conseguem arranjar tempo para jogar conversa fora com os turistas. Uma pena.
O banho, frio, é revigorante, com água que vem
diretamente do rio. A energia solar abastece parcos pontos de luz, mas, com
jeitinho, dá até para carregar a bateria da máquina fotográfica.
Nos quartos, as luzes vêm de velas. Não há sinal de celular, nem de rádio ou
TV.
Geralmente, em frente às casas, há uma área
reservada para barracas, que também é alugada -os europeus, em especial,
adoram!
A comida, caseira, é simples, porém saborosíssima.
No jantar, há opções de carnes, legumes, arroz, feijão, macarrão, salada e
sobremesa. E sucos naturais.
Cerveja, refrigerante e água mineral (caso não
queira consumir água potável das fontes) são vendidos à parte. É bom levar uma
grana. De preferência, dinheiro trocado. De manhã, há bolos, pães quentinhos,
frutas, café e leite, sempre em pó.
O regulamento manda ir cedo para cama e despertar
tão logo os galos anunciem. Se eles falharem, fique tranquilo. O guia te
despertará.
Os dias costumam ser quentes, com o sol na cabeça.
À noite, a temperatura cai um bocadinho. Portanto, mesmo no verão, leve um
agasalho de garantia. E carregue sempre contigo uma boa capa de chuva.
Chapada de trilha - Não só gringos de diferentes idades como também, cada vez mais, brasileiros
percorrem aqueles caminhos. Calcula-se que existam cerca de 35 trilhas, abertas
desde o século 19 por garimpeiros, caçadores e tropeiros.
O trekking no vale do Pati é considerado por guias
especializados, tanto nacionais quanto estrangeiros, como o mais belo do
Brasil. O terreno é bem diversificado. Sobe aqui, desce ali. Caminha-se sobre
areia, terra e pedras, muitas e variadas.
Córregos, rios e corredeiras pipocam por todo
canto. Bromélias, sempre-vivas, cactos e orquídeas vão colorindo o trajeto.
Dona de uma flora riquíssima, a chapada fica em uma região de transição de
biomas. Abrange áreas de cerrado, caatinga, mata atlântica e campos rupestres.
Se falta fôlego no sobe e desce dos seus verdes
vales, sobra a cantoria de pássaros e o barulhinho bom e relaxante da água
corrente, principalmente nesta época.
Às vezes, parece que o corpo não aguenta mover um
dedinho sequer. O suor nos encharca da cabeça aos pés. A roupa pesa, o corpo se
exaure. Aí, você cruza um túnel sombreado, esculpido por ipês-amarelos, e dá de
cara com uma baita cachoeira. Pronto, amenizou geral.
O cansaço físico até que tenta nos derrubar, só que
o cérebro, recarregado constantemente, está tão leve que logo arranjamos forças
para encarar a trilhar novamente.

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